Síntese do texto "Not Just naughty: 50 years of stimulant drug advertising"


Neste semestre (2014/2), a Leitura Dirigida “Educação, Cultura e Medicalização” (1) realizada no âmbito do PPGEDU/UFRGS, dedicou-se a discutir a obra de Ilina Singh (2) , Doutora em Educação pela Harvard University e atualmente professora de Ciência, Ética e Sociedade do Departamento de Ciências Sociais, Saúde e Medicina (SSHM), do King’s College de Londres.
Um dos textos da professora Ilina, Not Just naughty: 50 years of stimulant drug advertising) (publicado em: TONE, A.; WATKINS. E. (Eds.). Medicating Modern America. New York. NYU Press, 2007. p.131 -155), trouxe importantes aportes teórico-metodológicos acerca dos possíveis modos de se fazer pesquisa. No caso em questão, através de inúmeras imagens de anúncios de medicamentos (especificamente da Ritalina) apresentadas em revistas norte-americanas. Tais imagens nos permitem compreender os modos pelos quais se foi construído determinadas agendas que envolvem questões de ordem cultural, social, econômica e política em torno dos medicamentos.
Guilherme Maltez Souza, formado em Ciências Sociais e bolsista de Iniciação Científica do Projeto “Medicalização e escolarização de alunos-adolescentes referidos com o suposto diagnóstico de TDAH: estado da arte”, elaborou uma breve síntese deste texto, a qual pode servir como de introdução para a apresentação de suas inúmeras imagens (garimpadas por ele e pela professora Cláudia Freitas). Acreditamos que tais imagens, além de fornecer importantes insights acerca nos modos pelos quais os medicamentos vêm se constituindo em importantes tecnologias dos processos de subjetivação contemporâneos, poderão servir como possíveis caminhos de pesquisa a outros/as pesquisadores/as.

O texto de Ilina Singh indaga sobre como aprendemos a história das drogas; quais os meios que estariam disponíveis quando queremos pensar de onde vem algum medicamento específico, como entra no mercado, na clínica e no âmbito doméstico? A preocupação da autora é em percorrer a trajetória do metilfenidato (Ritalina), uma droga cuja maioria das pessoas acredita ser recente, presente no mercado a partir da década de 1980 para tratar a “hiperatividade nas crianças”.
A investigação mostra que a Ritalina teve sua entrada no mercado a partir de 1957 e que experimentos envolvendo comportamento e medicalização de crianças aconteceram desde a década de 1920. A preocupação do trabalho é mostrar como este medicamento cresceu com seu uso relacionado aos sintomas do TDAH. Nos EUA, entre 1991 e 1999, seu consumo aumentou 500%. Cerca de 85% do consumo mundial de Ritalina acontece neste país.
Há um forte componente sociocultural ligado ao crescimento do diagnóstico de TDAH, do uso da Ritalina e outras drogas estimulantes. O trabalho de Ilina Singh é reconstruir socioculturalmente as histórias destes estimulantes, sobretudo nos EUA, explorando como estas drogas se tornam ferramentas de controle e modificação do comportamento de crianças, com foco nos métodos de persuasão e modos de representação destas drogas e dos sintomas que elas tratam.
Consequentemente, há a preocupação em evidenciar quem são os atores envolvidos na persuasão e quem são os persuadidos (como os médicos, que ocupam ambas as posições e as figuras mais veladas, como a indústria farmacêutica). A falta de transparência da indústria farmacêutica com relação ao desenvolvimento, testes e divulgação do produto gera o problema da falta de evidências para os investigadores da história dessas drogas.
Neste texto, a autora trata as propagandas como documentos públicos, constituindo parte do arsenal persuasivo dos medicamentos. Elas apontam as preocupaçõesda indústria farmacêutica de convencer, primeiramente, os clínicos e, depois, o público geral, acerca da necessidade do uso destes medicamentos.
O texto possui dois objetivos. O primeiro é apresentar cronologicamente as propagandas de drogas estimulantes, de 1950 até o presente. O segundo é argumentar que o fenômeno contemporâneo do aumento de diagnóstico de TDAH pode ser explicado por uma associação entre crianças problemáticas (meninos) e mães problemáticas.

               No link http://www.bonkersinstitute.org/medshow/kidstuff.html constam imagens que mostram as intenções da autora, qual seja a de mostrar que imagens podem contar muito da história.

As imagens contidas nesta página são para fins educacionais e informativos.
1- (http://www.ufrgs.br/ppgedu/arquivos/oferta_curricular/Sumulas_2014_2/Luis_Henrique_LD.pdf)
2- (http://www.kcl.ac.uk/sspp/departments/sshm/people/academic/Dr-Ilina-Singh.aspx)

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